Dicas para seguranças e recepcionistas de templos religiosos

Não é de hoje que existem relatos de atentados em igrejas brasileiras e de outros países. Falando apenas de Brasil, após uma simples busca na internet, verifica-se que a lista de ocorrências no nosso país é extensa.

Quem poderia imaginar que, em uma terça-feira normal, ao meio dia, um homem entraria atirando em várias pessoas numa igreja de Campinas-SP como aconteceu em dezembro de 2018? Não dá para negligenciar a segurança nos templos religiosos uma vez que são lugares abertos a todos os tipos de pessoas, muitas delas com sérios problemas.

É fato que já existem sistemas eletrônicos de segurança até nos templos mais simples (alarmes e câmeras), então deve-se pensar no quesito material humano. O homem, apesar de vir perdendo grande espaço para a tecnologia, ainda é um elemento indispensável na segurança de algumas instalações, dentre elas as igrejas. O homem de segurança ou mesmo recepcionista de um templo deve observar algumas situações para que possa desempenhar bem seu papel:

POSICIONAMENTO: O perigo nem sempre virá de fora. Logicamente, a maior observação deve ser sobre aqueles que se aproximam do local, mas se possível, deve existir uma pessoa na parte interna observando o comportamento dos fiéis e convidados. Quanto mais rápida for a identificação de um comportamento estranho, mais tempo se terá para avaliar e tomar uma atitude eficaz. Isso serve para todo tipo de situação, inclusive para atender alguém que esteja passando mal por exemplo.

Na falta de uma pessoa disponível para observar a parte interna, a pessoa que fica na porta não deve dar as costas para o recinto, mas ficar em uma posição que possa, por meio de uma visão periférica, perceber movimentações na parte de dentro que considere diferentes do normal.

Bom, além da situação extrema de atentados contra a vida, outras ocorrências mais simples podem gerar uma certa preocupação no tocante à segurança de um templo. Para isso, é bom que vejamos algumas condições em que as pessoas podem chegar ao templo e as possíveis tratativas para cada caso:

BÊBADAS: Avaliar o grau de embriaguez. Quando a pessoa já está cambaleando, falando alto ou “filosofando”, já não é lugar para ela naquele ambiente. Por outro lado, há pessoas que mesmo embriagadas conseguem ter o controle sobre si. Mesmo assim, se permitir sua entrada, deve deixá-la sob discreta observação.

DROGADAS: A decisão de deixar uma pessoa que usou drogas entrar ou não na igreja também vai depender de cada caso conforme a experiência daquele (a) que estiver no controle de acesso. Vamos apenas indicar alguns sinais de uso de cocaína:

– Garganta seca (grande interesse por líquidos);

– Pupilas dilatadas (se estiver em grau avançado pode evitar fixação de olhar);

– Constante inspiração pelo nariz (como se o mesmo estivesse escorrendo);

– Preocupação constante com a situação do nariz (olhando em retrovisores de carro ou querendo ir ao banheiro para verificar);

– Inquietação, verbalização excessiva.

TRANSTORNADAS: Aqui incluem-se muitos tipos de transtornos a depender do fato que as deixaram dessa maneira:

– Chocadas com algum acontecimento violento (crimes ou acidentes): Tentar acalmar a pessoa dando-lhe água e ventilação. Nunca se dá medicamentos a alguém por conta própria. Verificar se a mesma precisará de atendimento médico-hospitalar (cuidado com a questão da negligência);

– Traídas: pessoas que acham ou que estão realmente sendo traídas geralmente protagonizam situações vexatórias e violentas pois saem de seu estado normal. Deve-se ter cuidado. Um bom homem de segurança utiliza-se de boas fontes de informação para detectar esses possíveis riscos com antecedência;

– Eufóricas: pessoas que estão em elevado estado de euforia geralmente perdem a noção de comportamento de forma momentânea (aprovados em vestibular, torcedores comemorando títulos, reunião de grupos de amigos, etc.). Tentar afastá-las do local de forma persuasiva e educada, minimizar o impacto de seus ruídos no ambiente de celebração por meio do fechamento das portas, etc.

PROFISSIONAIS DO SEXO: a maioria das igrejas não fecha as portas às pessoas que vivem à margem. Com os profissionais do sexo não é diferente. Geralmente essas pessoas, apesar de não serem muito adeptos à liturgia, costumam ter um comportamento aceitável nos templos. É bom que se tente conversar para que, em caso de uso de vestimentas provocantes, permaneçam em local mais discreto tomando o devido cuidado para não que haja qualquer tipo de discriminação.

Por fim, deixando outros itens de segurança para futuras postagens, lembramos que a inteligência é o principal fator de combate a sinistros. Por meio do conhecimento adquirido em manuais de segurança, sites especializados e outras fontes, podemos chegar a um grau mínimo de risco em nosso trabalho.

 

Fonte: Sousa, Isaías. Manual prático para recepcionistas e seguranças de templos religiosos. Junho 2016

Links:

Matéria do G1:

Homem invade igreja em Campinas e mata cinco pessoas

 

Vídeo do YouTube:

sintomas da cocaína

 


5 comentários sobre “Dicas para seguranças e recepcionistas de templos religiosos

  1. Se as pessoas tivessem acesso a essas informações com mais facilidade, muitos pontos descritos no texto seriam maia observado e certamente previnidos.

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